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Q"Rove of my ráááife"...
É o Kween, a versão japonesa do Queen. El Foco bateu um papo
exclusivo com o vocalista Yohei "Freddie Mercury" Eto.
QVocalista bigodudo
sem camisa debaixo de luzes coloridas, guitarrista de cachinhos negros,
um baixista silencioso e um baterista loiro... Que é isso? O Queen
trouxe Freddie Mercury do além e voltou à ativa? Não,
em 2001 o quarteto tem olhos puxados e canta "Rove of My Rife": é
o Kween, uma banda de Tóquio, Japão, que procura reproduzir
nos mínimos detalhes o quarteto inglês do sucesso "Love of
My Life".

QO Kween é
obra de Yohei Eto, que virou fã apaixonado do Queen ao ver um show
em 1980. Pouco depois, Eto formou sua primeira banda para tocar covers
do grupo. Ele assumiu o posto de Freddie Mercury. Eto deu uma entrevista
exclusiva a El Foco por e-mail.
QNos anos 90, com
a ausência definitiva do Queen (o vocalista-astro Freddie Mercury
morreu de Aids em 1991), o Kween ficou mais caprichado, buscando a maior
semelhança possível. Yohei Eto até entra de manto
e coroa no palco como fazia Freddie. O guitarrista Kenji Wakibuchi não
sossegou até comprar uma guitarra que é réplica usada
por Brian May no Queen. E por aí vai.

QAlém de ter
tocado quase todas as músicas do Queen nos palcos, o Kween chegou
a partir para composições próprias baseadas no mesmo
som da banda de "We Are the Champions", "Bohemian Rhapsody" e "Radio Ga
Ga". Saíram quatro CDs.
QA banda se orgulha
de ter recebido uma mensagem de parabéns de Brian May e chamou a
atenção da revista norte-americana "Gear", que fez uma matéria
sobre o Kween em sua seção de curiosidades na edição
de janeiro de 2001.
QMesmo assim, o Kween
prepara sua saída de cena para o fim deste ano, coincidindo com
o 10º. aniversário da morte de Mercury. Segundo "Freddie" Eto,
todos os integrantes têm outras profissões e agora estão
com menos tempo para dedicar ao Kween.

Confira a entrevista de Yohei "Freddie Mercury" Eto a El Foco:
Foi difícil deixar os membros do Kween
muito parecidos com os do Queen?
QNunca achamos que
foi difícil. Todos são fãs do Queen, assistimos muitos
vídeos e analisamos como eles atuavam no palco. Nós encomendamos
trajes que são praticamente idênticos aos do Queen. Além
disso, recebemos muitos comentários de nosso público, como
"você poderia ficar mais igual ao John Deacon balançando a
cabeça desse jeito...". Nós incorporamos isso. Acho que,
depois de dois anos na ativa, nosso visual, nossa atuação,
a maneira de cantar etc, ficaram bastante convincentes.

Como ocorreu a idéia de formar uma banda
igual ao Queen no som e na aparência? E por que o Queen?
QQuem começou
com tudo fui eu mesmo. Vi o Queen ao vivo em 1980 em Dallas (EUA). Nunca
tinha visto nada igual, antes eu gostava de folk japonês. Fiquei
inspirado especialmente pelo Freddie. Eu já era um cantor/performer
e achei que deve ser uma sensação ótima ter o total
controle da platéia. Foi então que tive a idéia de
formar uma banda-tributo. Por que o Queen? Só posso dizer que é
porque foi o show do Queen que eu vi. Ainda bem que não foi o Air
Supply!
O Queen foi e ainda é muito popular
no Brasil. Fizeram grandes shows em 1981, para mais de 250.000 pessoas
em São Paulo, e em 1985 no primeiro Rock In Rio. Você sabe
algo sobre a importância desses shows para o rock no Brasil?
QSei que os shows
deles no Brasil foram magníficos. Assisti ao vídeo do Rock
In Rio e fiquei espantado com o tamanho do palco, que era maior que quando
eles fizeram shows no Japão, e da platéia. Ouvi falar que
"I Want to Break Free" era uma das músicas mais populares no Brasil
nessa época. Por alguma razão, poucos artistas de rock tocaram
no Brasil antes do Queen. Acho que o Queen praticamente abriu mais um mercado
para as bandas de rock.
Vocês já foram contatados ou convidados
para tocar no Brasil?
QUma vez, um promotor
de shows brasileiro entrou em contato. Respondemos que só poderíamos
ir por, no máximo, sete dias por causa de nossos empregos. Infelizmente,
não ouvimos mais falar dele. Pessoalmente, adoraria visitar o Brasil.
Minhas razões adicionais: 1) adoraria ver o Carnaval; 2) quando
criança, vi uma exposição do Museu de Arte de São
Paulo aqui no Japão e adorei cada momento; 3) ouvi dizer que as
pessoas no Brasil são alegres e extrovertidas; 4) um amigo que esteve
no Brasil diz que as mulheres são lindas.

O site do Kween diz que a banda recebeu uma
mensagem de parabéns do Brian May. Como foi isso?
QUma amiga foi à
Inglaterra para uma convenção de fã-clubes do Queen
em 1994. Pedi a ela que levasse material promocional do Kween, com biografia,
fotos e vídeo, ao Brian May, que ia tocar na convenção.
Ela conseguiu entregar o material a ele. Seis meses depois, recebemos uma
carta de Brian. Ele escreveu mais ou menos isso: "Obrigado por prestar
tal homenagem. É notável. Ouvi muita paixão, amor
e técnica excelente em sua fita. Fiquei especialmente emocionado
com sua composição 'The Hero - Dedicated to Freddie Mercury".
Quantas pessoas em média assistem aos
shows do Kween? E quantas cópias cada CD vendeu?
QNosso maior público
foi em Okinawa em 1999: 3.000 pessoas. Em Tóquio, temos entre 700
e 1.000 pessoas em lugares maiores e 200 ou 300 nos menores. Em Londres,
em 1998, tivemos 800 pessoas no maior show e 250 no que teve menos público.
Já as vendas dos CDs não chegam a me deixar orgulhoso. Os
três primeiros, pela Nippon Columbia, venderam juntos 15 mil cópias.
O mais recente, lançado pelo nosso selo independente, vendeu apenas
1.000.
É muito caro manter o Kween?
QDepende. Pode ficar.
Os refletores e fogos de artifício são os mais caros. Um
show do Queen não era completo sem "as luzes". Claro que não
há como imitar uma iluminação de US$ 2 milhões
como a do Queen. Mas qualquer opção que faça ficar
parecido já é cara. E nosso guitarrista pagou US$ 5.000 na
guitarra Brian May Signature que a Guild fabrica e em um amplificador Vox.
Em resumo, é caro.

Vocês vão parar a banda por causa
de seus empregos. Por que vocês decidiram parar de dar shows?
QNão ganhamos
a vida com o Kween. O que ganhamos com a banda é investido nela.
Como ficou muito grande agora, não podemos chamar de hobby. Eu trabalho
para uma companhia de treinamento e gerencio 70 pessoas como diretor. O
guitarrista trabalha desenvolvendo projetos em uma fábrica de salgadinhos.
O baixista tem uma escola de maquiagem. O baterista é um diretor
de programas de TV. Quando começamos há 10 anos, estávamos
em começo de carreira profissional. Agora temos tarefas maiores.
A decisão foi minha. Trabalho muitas horas e sempre tive vontade
de desenvolver minha música própria em vez de covers. Não
posso fazer covers do Queen para sempre, então decidimos "dar um
tempo". Vamos definir em maio quando será o último show.
Mas vamos tocar em setembro em Tóquio, Nagóia e Osaka.
