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Cover Guitarra: Já que você
está falando para uma revista de guitarra, que vai ser lida por
milhares de guitarristas brasileiros, eu não poderia começar
a entrevista de outra maneira: você poderia nos contar a história
da construção de sua guitarra - a Red Special - feita por
você e seu pai, e quais são os componentes?
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Brian May: Claro, eu entendo perfeitamente.
Acho muito legal começarmos dessa maneira (risos). Em 1964, eu ainda
estava na escola quando comecei a construí-la, já que não
tinha dinheiro para comprar uma Fender Stratocaster (risos)... Meu pai
era um especialista em eletrônica e me ajudou muito no projeto. Levei
dois anos para terminá-la, e se não me falha a memória,
devo ter gastado na época umas 8 libras (mais ou menos 30 reais
nos dias de hoje). Ela sempre foi e sempre será a minha guitarra
preferida. Eu a uso há mais de trinta anos e, a não ser por
algumas peças de hardware, tudo mais é original. Até
os trastes.
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Cover Guitarra: Mas você
usa outras guitarras, não?
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Brian May: Ocasionalmente, uso
nos shows uma Guild modelo Brian May, que é uma cópia muito
boa da Red Special. Tinha uma outra, construída por um Luthier inglês
chamado John Birch, que também era uma cópia da Red Special,
só que dourada. (Aquela usada nos videoclips de We Will Rock You
e Spread Your Wings, lembram?) Eu a usava raramente, pois não gostava
de seu timbre. Acabei quebrando-a em dezenas de pedaços num show
em Paris (risos).
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Cover Guitarra: Que outras guitarras
foram usadas nos discos do Queen ou mesmo na sua carreira solo?
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Brian May: Eu tenho também
uma Ibanez, modelo Joe Satriani - que me foi presenteada pelo próprio,
e com a qual gravei "Nothin' But Blue", além de uma Parker Fly,
que usei em "Mother Love". Devo ter uma dúzia de guitarras em casa...
uma Strato 69, uma Telecaster 74, uma Burns Sunbust de doze cordas, uma
Gibson Flying V... o Roger Taylor sim que é um autêntico colecionador
de guitarras.
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Cover Guitarra: O solo de "Crazy
Little Thing Called Love" foi feito numa Fender, não?
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Brian May: Exato. Mais precisamente
uma Telecaster, que inclusive, não era minha, e sim do Roger.
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Cover Guitarra: Muitas músicas
do Queen como "The Prophet's Song", "Bring Back That Leroy Brown", e "Good
Company", mostravam você se aventurando por outros instrumentos.
Até harpa você tocou em "Love Of My Life"...
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Brian May: Em "The Prophet's Song",
eu toquei um koto (tradicional instrumento japonês) de brinquedo
que eu ganhei de uma fã no Japão, na primeira turnê
que fizemos lá. Aliás, sou fascinado pelos instrumentos exóticos!
Tive até que brigar com os caras do grupo para tocar banjo ukelele
em "Bring Back That Leroy Brown" e "Good Company" (risos).
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Cover Guitarra: É verdade
que você não usa palhetas, preferindo tocar com moedas?
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Brian May: Para o horror dos puristas,
sim (risos). Eu uso um "sixpence" inglês, que é uma moedinha
circular e com as bordas serradas, que são importantíssimas
para eu obter determinados efeitos, como raspar as cordas. Acho as palhetas
tradicionais moles demais para o meu estilo.
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Cover Guitarra: Por que a característica
do seu som só se tornou mais marcante em Queen II e não no
primeiro disco?
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Brian May: No Queen I, ficamos
um pouco à mercê do nosso produtor (Roy Thomas Baker), já
que era nosso primeiro disco e a ousadia costumava sumir nestes momentos
(risos). Como obtivemos um certo sucesso de crítica com este disco,
me senti um pouco mais à vontade para experimentar novos elementos
nas gravações do segundo álbum. Passei a pensar na
guitarra como uma outra voz, compondo de uma maneira a tocar as notas junto
com a melodia do vocal, para daí a passar para os bakings. Então,
cada estrutura do arranjo de guitarra passou a ser colocada em camadas,
assim como as vozes. Desde o começo do Queen, quando gravamos "Keep
Yourself Alive", queríamos fazer coisas que combinassem força
e emoção, como o que foi feito em "Bohemian Rhapsody".
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Cover Guitarra: Há alguma
música do Queen que você regravaria de uma maneira diferente?
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Brian May: Sem dúvida alguma,
eu nem incluiria "Dancer" no Hot Space. Alías, eu não fiquei
muito satisfeito com o resultado final desse disco. Quando gravamos The
Game, procuramos fazer coisas diferentes do que vínhamos fazendo,
tocando de uma maneira mais relaxada. Eu acho que esse espírito
acabou tomando uma dimensão indesejada quando fizemos o Hot Space.
Eu acho que eu regravaria todo esse disco de uma outra maneira, talvez
até com um outro repertório. Naquela época, tínhamos
uma certa preocupação com músicas que talvez não
funcionassem tão bem no palco. Gravávamos todo show do Queen
para corrigirmos falhas e músicas que não funcionavam ao
vivo.
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Cover Guitarra: Como rolou o projeto
StarFleet, junto com Eddie Van Hallen?
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Brian May: Na verdade, isso foi
uma jam session que eu e Eddie fizemos em Los Angeles em 1982. Nós
nem íamos lançar isso. Mas depois achamos que as pessoas
ouvissem o que fizemos, mesmo que de brincadeira. Até mesmo as partes
que erramos ficaram registradas na gravação, pois nós
nem ensaiamos direito (risos). Gravamos tudo em dois dias! Usei minha velha
guitarra, dois Vox Ac-30 (o modelo do amplificador que o Brian usa até
hoje), e um pedal. Muito material, as músicas inteiras, mas alguns
riffs e algumas levadas ficaram fora do EP. Foi daí que minha amizade
e respeito por Eddie chegaram no ponto que estão hoje. Ele é
um gênio! Gosto muito do seu absoluto domínio da alavanca.
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Cover Guitarra: E qual é
a verdade sobre a volta do Queen?
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Brian May: Olha, não há
nenhum empecilho para que voltemos a tocar juntos. Houve uma época
que eu achava que seria errado usar o nome do Queen sem a presença
do Freddie, mas ele mesmo daria uma força para que continuássemos
(The Show Must Go On, certo?). Devemos lançar algo em breve, um
single, só para ver o que acontece...
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Cover Guitarra: E essa história
que George Michael seria o vocalista?
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Brian May: (pensativo)... Olha,
ele é um tremendo cantor, e a versão do "Somebody To Love"
no tributo ao Freddie Mercury ficou muito legal. Quem sabe se não
façamos esse novo single com ele? Não importa muito quem
vai cantar e sim o que vamos compor. Além disso, existe um material
relativamente grande de músicas que nunca lançamos em disco,
embora não seja um número suficiente para um álbum.
Talvez a gente lance isso um dia.
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Cover Guitarra: Para encerrar,
uma pergunta singela: quais são as músicas do Queen pelas
quais você gostaria de ser lembrado?
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Brian May: Essa é uma boa
pergunta (risos)... Creio que "Ogre Battle", "White Queen", "Let Us Cling
Togheter"
e "Long Away" seriam boas referências para a minha pessoa (risos).