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Entrevista com Brian May na revista Cover Guitarra de julho de 1999

queenBrian May é sem dúvida, um dos guitarristas mais importantes da história do Rock. Dono de um estilo único e cheio de clásse, trocou riffs inesquecíveis e solos desconcertantes ao longo de mais de vinte anos junto do grupo Queen. E ainda hoje, em seus discos solos, mostra muita energia, técnica e emoção. Personalidade. Este é talvez o bem mais precioso que um guitarrista tem que ter dentro da sonoridade. E Brian May tem de sobra. Seu inconfundível estilo e a sua marca pessoal como guitarrista podem ser indentificados em qualquer lugar do planeta, pois ele sempre faz questão de ter esses qualidades como geradoras de belas canções. Em entrevista exclusiva a Cover Guitarra, o boa-praça britânico abriu o jogo sobre toda a sua carreira, seu som e suas guitarras, é óbvio.
Régis Tadeu

 

Cover Guitarra: Já que você está falando para uma revista de guitarra, que vai ser lida por milhares de guitarristas brasileiros, eu não poderia começar a entrevista de outra maneira: você poderia nos contar a história da construção de sua guitarra - a Red Special - feita por você e seu pai, e quais são os componentes?
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Brian May: Claro, eu entendo perfeitamente. Acho muito legal começarmos dessa maneira (risos). Em 1964, eu ainda estava na escola quando comecei a construí-la, já que não tinha dinheiro para comprar uma Fender Stratocaster (risos)... Meu pai era um especialista em eletrônica e me ajudou muito no projeto. Levei dois anos para terminá-la, e se não me falha a memória, devo ter gastado na época umas 8 libras (mais ou menos 30 reais nos dias de hoje). Ela sempre foi e sempre será a minha guitarra preferida. Eu a uso há mais de trinta anos e, a não ser por algumas peças de hardware, tudo mais é original. Até os trastes.
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Cover Guitarra: Mas você usa outras guitarras, não?
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Brian May: Ocasionalmente, uso nos shows uma Guild modelo Brian May, que é uma cópia muito boa da Red Special. Tinha uma outra, construída por um Luthier inglês chamado John Birch, que também era uma cópia da Red Special, só que dourada. (Aquela usada nos videoclips de We Will Rock You e Spread Your Wings, lembram?) Eu a usava raramente, pois não gostava de seu timbre. Acabei quebrando-a em dezenas de pedaços num show em Paris (risos).
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Cover Guitarra: Que outras guitarras foram usadas nos discos do Queen ou mesmo na sua carreira solo?
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Brian May: Eu tenho também uma Ibanez, modelo Joe Satriani - que me foi presenteada pelo próprio, e com a qual gravei "Nothin' But Blue", além de uma Parker Fly, que usei em "Mother Love". Devo ter uma dúzia de guitarras em casa... uma Strato 69, uma Telecaster 74, uma Burns Sunbust de doze cordas, uma Gibson Flying V... o Roger Taylor sim que é um autêntico colecionador de guitarras.
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Cover Guitarra: O solo de "Crazy Little Thing Called Love" foi feito numa Fender, não?
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Brian May: Exato. Mais precisamente uma Telecaster, que inclusive, não era minha, e sim do Roger.
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Cover Guitarra: Muitas músicas do Queen como "The Prophet's Song", "Bring Back That Leroy Brown", e "Good Company", mostravam você se aventurando por outros instrumentos. Até harpa você tocou em "Love Of My Life"...
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Brian May: Em "The Prophet's Song", eu toquei um koto (tradicional instrumento japonês) de brinquedo que eu ganhei de uma fã no Japão, na primeira turnê que fizemos lá. Aliás, sou fascinado pelos instrumentos exóticos! Tive até que brigar com os caras do grupo para tocar banjo ukelele em "Bring Back That Leroy Brown" e "Good Company" (risos).
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Cover Guitarra: É verdade que você não usa palhetas, preferindo tocar com moedas?
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Brian May: Para o horror dos puristas, sim (risos). Eu uso um "sixpence" inglês, que é uma moedinha circular e com as bordas serradas, que são importantíssimas para eu obter determinados efeitos, como raspar as cordas. Acho as palhetas tradicionais moles demais para o meu estilo.
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Cover Guitarra: Por que a característica do seu som só se tornou mais marcante em Queen II e não no primeiro disco?
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Brian May: No Queen I, ficamos um pouco à mercê do nosso produtor (Roy Thomas Baker), já que era nosso primeiro disco e a ousadia costumava sumir nestes momentos (risos). Como obtivemos um certo sucesso de crítica com este disco, me senti um pouco mais à vontade para experimentar novos elementos nas gravações do segundo álbum. Passei a pensar na guitarra como uma outra voz, compondo de uma maneira a tocar as notas junto com a melodia do vocal, para daí a passar para os bakings. Então, cada estrutura do arranjo de guitarra passou a ser colocada em camadas, assim como as vozes. Desde o começo do Queen, quando gravamos "Keep Yourself Alive", queríamos fazer coisas que combinassem força e emoção, como o que foi feito em "Bohemian Rhapsody".
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Cover Guitarra: Há alguma música do Queen que você regravaria de uma maneira diferente?
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Brian May: Sem dúvida alguma, eu nem incluiria "Dancer" no Hot Space. Alías, eu não fiquei muito satisfeito com o resultado final desse disco. Quando gravamos The Game, procuramos fazer coisas diferentes do que vínhamos fazendo, tocando de uma maneira mais relaxada. Eu acho que esse espírito acabou tomando uma dimensão indesejada quando fizemos o Hot Space. Eu acho que eu regravaria todo esse disco de uma outra maneira, talvez até com um outro repertório. Naquela época, tínhamos uma certa preocupação com músicas que talvez não funcionassem tão bem no palco. Gravávamos todo show do Queen para corrigirmos falhas e músicas que não funcionavam ao vivo.
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Cover Guitarra: Como rolou o projeto StarFleet, junto com Eddie Van Hallen?
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Brian May: Na verdade, isso foi uma jam session que eu e Eddie fizemos em Los Angeles em 1982. Nós nem íamos lançar isso. Mas depois achamos que as pessoas ouvissem o que fizemos, mesmo que de brincadeira. Até mesmo as partes que erramos ficaram registradas na gravação, pois nós nem ensaiamos direito (risos). Gravamos tudo em dois dias! Usei minha velha guitarra, dois Vox Ac-30 (o modelo do amplificador que o Brian usa até hoje), e um pedal. Muito material, as músicas inteiras, mas alguns riffs e algumas levadas ficaram fora do EP. Foi daí que minha amizade e respeito por Eddie chegaram no ponto que estão hoje. Ele é um gênio! Gosto muito do seu absoluto domínio da alavanca.
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Cover Guitarra: E qual é a verdade sobre a volta do Queen?
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Brian May: Olha, não há nenhum empecilho para que voltemos a tocar juntos. Houve uma época que eu achava que seria errado usar o nome do Queen sem a presença do Freddie, mas ele mesmo daria uma força para que continuássemos (The Show Must Go On, certo?). Devemos lançar algo em breve, um single, só para ver o que acontece...
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Cover Guitarra: E essa história que George Michael seria o vocalista?
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Brian May: (pensativo)... Olha, ele é um tremendo cantor, e a versão do "Somebody To Love" no tributo ao Freddie Mercury ficou muito legal. Quem sabe se não façamos esse novo single com ele? Não importa muito quem vai cantar e sim o que vamos compor. Além disso, existe um material relativamente grande de músicas que nunca lançamos em disco, embora não seja um número suficiente para um álbum. Talvez a gente lance isso um dia.
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Cover Guitarra: Para encerrar, uma pergunta singela: quais são as músicas do Queen pelas quais você gostaria de ser lembrado?
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Brian May: Essa é uma boa pergunta (risos)... Creio que "Ogre Battle", "White Queen", "Let Us Cling Togheter" e "Long Away" seriam boas referências para a minha pessoa (risos).


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