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Caixa revela novas facetas de Mercury


Fonte: Thomas Pappon, especial para o Estado

Pacote analisa a vida e a obra-solo do roqueiro, cujo nome verdadeiro era Farrokh Bulsara

queenLONDRES - Chegou ontem às lojas européias a caixa Freddie Mercury The Solo Collection, que - quase dez anos da morte do cantor do Queen - revisita sua carreira-solo e revela pela primeira vez ao grande público detalhes do passado e da vida pessoal dessa figura ímpar do rock.
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queenA caixa faz jus à famosa extravagância do artista: inclui 10 CDs com 128 gravações, um livro de 120 páginas e dois DVDs. Os CDs reúnem todo o material musical feito pelo cantor fora do Queen e toda espécie de raridades, como sobras de estúdio, colaborações com outros músicos, ensaios, demos e jam sessions.
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queenOs três álbuns oficiais de Freddie Mercury estão aqui: Mr. Bad Guy (85), Barcelona (88), gravado com a cantora de ópera espanhola Montserrat Caballe, e a coletânea póstuma The Great Pretender (92). Entre as "raridades" estão as duas músicas do primeiro compacto gravado por Freddie, ainda antes do Queen, lançado sob o nome Larry Lurex: uma versão de I Can Hear Music dos Beach Boys e outra de Going Back, do casal Goffin e King. Há também duas músicas do cantor/guitarrista Billy Squier com participação de Freddie e a gravação caseira do primeiro ensaio dele com Montserrat Caballet, uma cândida jam session de um monstro do rock com uma diva do bel-canto, gravada na sala de estar.
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queenPara quem não é fã obcecado por Mercury, há joio demais para pouco trigo em The Solo Collection. Um dos CDs da caixa, por exemplo, é composto de versões exclusivamente instrumentais, ou seja, sem os vocais de Freddie. Ao trazer versões demos ou de ensaios de músicas, os três CDs contendo "raridades" - a exemplo dos três volumes da Beatles Anthology - tentam dar uma idéia de como Mercury trabalhava, de como funcionava o seu processo de criação.
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queenMas, fora do Queen, Mercury teve apenas poucos hits, como Living on My Own, sua versão para o clássico dos Platters The Great Pretender e a bombástica Barcelona, que virou hino olímpico. Mr. Bad Guy, o único disco propriamente solo de Mercury, vendeu pouco mais de 150 mil cópias, um desastre comercial se comparado aos índices de vendagem do Queen - que quase passaram a marca das 200 milhões de cópias, em 20 anos de carreira.
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queenO grande tesouro da caixa é sem dúvida o documentário Freddie Mercury The Untold Story, que está num dos DVDs (o outro reúne os vídeos do cantor). O filme, feito pelos diretores austríacos Rudi Dolezal e Hannes Rossacher - donos da DoRo, uma das maiores produtoras de vídeos e documentários da Europa - desvenda dois aspectos pouco conhecidos da vida dele, a sua infância e adolescência - mantidas em segredo pelo próprio cantor - e sua vida de casado com o último parceiro, Jim Hutton.
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queenNuma sessão especial em Londres, de uma versão para a TV do filme, reduzida em uma hora - e que será exibida em TVs de 40 países - o diretor Rudi Dolezal explicou ao Estado que ele não queria mostrar os altos e baixos da carreira Mercury, o que "todo mundo já conhece". "Meu desejo era mostrar o Freddie que eu conhecia, e que era o Freddie conhecido pelas pessoas mais próximas a ele; o Freddie casado, homem de família, gay."
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queenSegundo Dolezal, esse assunto era tabu, quando Freddie morreu, em novembro de 91: "Esperei oito anos para fazer o filme, porque achei que só agora haveria tolerância para o tema", diz. "E eu consegui que todas as pessoas próximas a ele dessem depoimentos, inclusive Jim Hutton, que relutou em falar."
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queenPelo filme, o "verdadeiro" Freddie era contraditório, podia ser ao mesmo tempo cheio de si, mas extremamente sensível e vulnerável, tímido mas desbocado, doce mas venenoso. Gostava de torrar sua fortuna em roupas e festas extravagantes. Há cenas da megafesta dos 39 anos de aniversário que Mercury deu em Munique, onde vivia, e um dos convidados resume o espírito: "Por causa dessa festa, vou para o inferno quando morrer."
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queenPara mostrar a infância de Mercury, a equipe de Dolezal passou meses em Zanzibar e em Panjghani, na Índia. A casa em que vivia, o lugar em que tirou sua primeira foto como bebê, a escola em que formou sua primeira banda, essas imagens são como a descoberta de um mundo à parte. Seu verdadeiro nome era Farrokh Bulsara, seus pais têm ascendência persa, e viviam na exótica ilha de Zanzibar, um sultanato árabe antes de ser anexado pela Tanzânia em 1964.
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queenA mãe, Jer, e a irmã Kashmira, contam que Farrokh sempre foi ligado na cultura ocidental e no emergente rock'n'roll "que conhecia por meio de revistas". O garoto não tinha o que fazer em Zanzibar e foi estudar num internato em Panjghani, na Índia, que oferecia educação inglesa para garotos indianos. Foi lá que ele teve aulas de piano e formou sua primeira banda, The Hectics, "um sucesso, pelo menos na escola", segundo um dos ex-integrantes.
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queenOs Bulsara se mudariam para Londres em pleno auge da "swinging London", na segunda metade dos anos 60. Para Farrokh, foi a realização de um sonho. Ele entrou na universidade para estudar arte e desenho, mudou o nome para Freddie, conheceu Brian May e o resto é história. História que agora ganha uma nova entrada, no mínimo, curiosa: Freddie Mercury, um dos maiores ícones do rock dos anos 70 e 80, o "furacão" do Rock in Rio e autor de Bohemian Rhapsody, viveu a adolescência típica de um garoto indiano.


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