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Pacote analisa a vida e a obra-solo do roqueiro, cujo nome verdadeiro era Farrokh Bulsara
queenLONDRES
- Chegou ontem às lojas européias a caixa Freddie Mercury
The Solo Collection, que - quase dez anos da morte do cantor do Queen -
revisita sua carreira-solo e revela pela primeira vez ao grande público
detalhes do passado e da vida pessoal dessa figura ímpar do rock.
queen
queenA
caixa faz jus à famosa extravagância do artista: inclui 10
CDs com 128 gravações, um livro de 120 páginas e dois
DVDs. Os CDs reúnem todo o material musical feito pelo cantor fora
do Queen e toda espécie de raridades, como sobras de estúdio,
colaborações com outros músicos, ensaios, demos e
jam sessions.
queen
queenOs
três álbuns oficiais de Freddie Mercury estão aqui:
Mr. Bad Guy (85), Barcelona (88), gravado com a cantora de ópera
espanhola Montserrat Caballe, e a coletânea póstuma The Great
Pretender (92). Entre as "raridades" estão as duas músicas
do primeiro compacto gravado por Freddie, ainda antes do Queen, lançado
sob o nome Larry Lurex: uma versão de I Can Hear Music dos Beach
Boys e outra de Going Back, do casal Goffin e King. Há também
duas músicas do cantor/guitarrista Billy Squier com participação
de Freddie e a gravação caseira do primeiro ensaio dele com
Montserrat Caballet, uma cândida jam session de um monstro do rock
com uma diva do bel-canto, gravada na sala de estar.
queen
queenPara
quem não é fã obcecado por Mercury, há joio
demais para pouco trigo em The Solo Collection. Um dos CDs da caixa, por
exemplo,
é composto de versões exclusivamente instrumentais, ou seja,
sem os vocais de Freddie. Ao trazer versões demos ou de ensaios
de músicas, os três CDs contendo "raridades" - a exemplo dos
três volumes da Beatles Anthology - tentam dar uma idéia de
como Mercury trabalhava, de como funcionava o seu processo de criação.
queen
queenMas,
fora do Queen, Mercury teve apenas poucos hits, como Living on My Own,
sua versão para o clássico dos Platters The Great Pretender
e a bombástica Barcelona, que virou hino olímpico. Mr. Bad
Guy, o único disco propriamente solo de Mercury, vendeu pouco mais
de 150 mil cópias, um desastre comercial se comparado aos índices
de vendagem do Queen - que quase passaram a marca das 200 milhões
de cópias, em 20 anos de carreira.
queen
queenO
grande tesouro da caixa é sem dúvida o documentário
Freddie Mercury The Untold Story, que está num dos DVDs (o outro
reúne os vídeos do cantor). O filme, feito pelos diretores
austríacos Rudi Dolezal e Hannes Rossacher - donos da DoRo, uma
das maiores produtoras de vídeos e documentários da Europa
- desvenda dois aspectos pouco conhecidos da vida dele, a sua infância
e adolescência - mantidas em segredo pelo próprio cantor -
e sua vida de casado com o último parceiro, Jim Hutton.
queen
queenNuma
sessão especial em Londres, de uma versão para a TV do filme,
reduzida em uma hora - e que será exibida em TVs de 40 países
- o diretor Rudi Dolezal explicou ao Estado que ele não queria mostrar
os altos e baixos da carreira Mercury, o que "todo mundo já conhece".
"Meu desejo era mostrar o Freddie que eu conhecia, e que era o Freddie
conhecido pelas pessoas mais próximas a ele; o Freddie casado, homem
de família, gay."
queen
queenSegundo
Dolezal, esse assunto era tabu, quando Freddie morreu, em novembro de 91:
"Esperei oito anos para fazer o filme, porque achei que só agora
haveria tolerância para o tema", diz. "E eu consegui que todas as
pessoas próximas a ele dessem depoimentos, inclusive Jim Hutton,
que relutou em falar."
queen
queenPelo
filme, o "verdadeiro" Freddie era contraditório, podia ser ao mesmo
tempo cheio de si, mas extremamente sensível e vulnerável,
tímido mas desbocado, doce mas venenoso. Gostava de torrar sua fortuna
em roupas e festas extravagantes. Há cenas da megafesta dos 39 anos
de aniversário que Mercury deu em Munique, onde vivia, e um dos
convidados resume o espírito: "Por causa dessa festa, vou para o
inferno quando morrer."
queen
queenPara
mostrar a infância de Mercury, a equipe de Dolezal passou meses em
Zanzibar e em Panjghani, na Índia. A casa em que vivia, o lugar
em que tirou sua primeira foto como bebê, a escola em que formou
sua primeira banda, essas imagens são como a descoberta de um mundo
à
parte. Seu verdadeiro nome era Farrokh Bulsara, seus pais têm ascendência
persa, e viviam na exótica ilha de Zanzibar, um sultanato árabe
antes de ser anexado pela Tanzânia em 1964.
queen
queenA
mãe, Jer, e a irmã Kashmira, contam que Farrokh sempre foi
ligado na cultura ocidental e no emergente rock'n'roll "que conhecia por
meio de revistas". O garoto não tinha o que fazer em Zanzibar e
foi estudar num internato em Panjghani, na Índia, que oferecia educação
inglesa para garotos indianos. Foi lá que ele teve aulas de piano
e formou sua primeira banda, The Hectics, "um sucesso, pelo menos na escola",
segundo um dos ex-integrantes.
queen
queenOs
Bulsara se mudariam para Londres em pleno auge da "swinging London", na
segunda metade dos anos 60. Para Farrokh, foi a realização
de um sonho. Ele entrou na universidade para estudar arte e desenho, mudou
o nome para Freddie, conheceu Brian May e o resto é história.
História que agora ganha uma nova entrada, no mínimo, curiosa:
Freddie Mercury, um dos maiores ícones do rock dos anos 70 e 80,
o "furacão" do Rock in Rio e autor de Bohemian Rhapsody, viveu a
adolescência típica de um garoto indiano.